Um grande passo para o Hip-Hop goiano foi dado, saiba como foi o Festival Rimanação

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Dia 26 de Agosto, Centro Cultural Martim Cererê, maior templo da contracultura do centro-oeste há décadas. Nessa data e local foi possível testemunhar a cultura hip-hop em sua essência, em todas suas vertentes. O festival Rimanação apresentou batalhas de altissímo nível, premiação em dinheiro, muito trap, muita ideia e muito sentimento.

Com as portas abertas às 17, o primeiro show, do trapper da banca Juminai, JAN. Apesar de um público reduzido, o artista demonstrou toda experiência adquirida ao dividir palco com artistas da Recayd. Gritos, pulos e graves destruidores guiaram o show, que com certeza foi um dos destaques da noite. Em determinado momento, o público presente no teatro Pýgua, passou a fazer as dobras com sonoros ‘ay’s, o que na visão do mc, caracterizou o verdadeiro show.

Jan ao palco. Fotografia por Vinícius Schmidt.

Após o evento, foi possível trocar uma ideia com JAN :

RND – Apesar de ser o primeiro show do rolê, o público presente se contagiou e num determinado momento você falou que eles eram o verdadeiro show; Enquanto artista, tem algo mais satisfatório?

Jan – Cara não tem, realmente é algo muito foda, eu pude descer e cumprimentar cada um que tava ali, é algo que pra mim me ajuda muito a ter força pra continuar trabalhando, ainda mais nesse estilo Trap. Tem muito preconceito ainda, as vezes a gente precisa sentir a vibe, a energia das pessoas pra poder acreditar mais. Foi uma troca de energia muito boa pra mim aquele dia.

RND – Na tua visão, qual a importância de um evento como o Rimanação, que unificou diferentes estilos de rap, apresentações de b-boys e batalhas?

Na minha visão é algo muito importante, não só para os artistas, mas para o público também, a gente tem muito som bom, artista bom, b-boy bom, que não é conhecido e as pessoas estão sempre em busca de coisas novas, um evento unificar várias coisas diferentes nele é de grande crescimento. O Rimanação foi um evento que trouxe isso, cada um que foi conheceu alguma coisa nova, isso é muito importante.

RND – Algum recado?

Queria agradecer a cada um presente no meu show, aos produtores, foi uma oportunidade ímpar e eu fiquei muito feliz de ter feito parte, é isso, muito obrigado também ao RND, satisfação imensa!

Em seguida, o Grupo Trecho veio ao palco, com seu rap sujo e subversivo, que apesar de ainda ter um público reduzido, manteve os presentes entretidos e saíram aplaudidos.
Com o princípio das batalhas, o clima foi notado. Tímida e espalhada se encontrava a plateia, o que refletiu nas batalhas iniciais, porém, era apenas o começo da noite.

Apresentação do Grupo Trecho. Fotografia por Vinícius Schmidt

Logo adiante, Jimy veio ao palco. A promessa era de um show agitado e receptivo para a massa que passava a chegar na casa. Após algumas faixas, o clima entre artista-público estava tão íntimo que o artista mal percebeu estar extrapolando seu tempo, e os presentes não se incomodaram. Assim que o erro foi percebido, foi prontamente resolvido, a próxima atração, o grupo Clann, por problemas técnicos com a locomoção urbana, havia se atrasado e num acordo mútuo, Jimy manteve o rolê vivo pela duração de duas apresentações;

Apresentação de Jimy. Fotografia por Vinícius Schmidt.

As oitavas de finais da batalha, já com um clima intenso e vibrante no martim, incendiaram tudo ainda mais. Nomes como Eduardo Genuíno – Dudu para os presentes- (que se apresentaria como membro do coletivo DoBeco em breve), Iná, Afroking, Baiano, Criolim foram conquistando o amor do público com as respostas bem pensadas.

Na foto, a MC Yná batalhando. Fotografia por Vinícius Schmidt.

O show do grupo DoBeco foi marcado por animação e mensagem. Antes de subir ao público, o DJ deles providenciou a conquista dos presentes ao tocar o ‘Rap das armas’ de Cidinho e Doca. Em seguida, barras sobre problemas sociais e o amor por Aparecida de Goiânia foram cuspidas.

O grupo DoBeco em união com a platéia. Fotografia por Vinícius Schmidt.

Lenda viva do rap goiano, Gasper com toda sua experiência, desenvoltura e principalmente classe, encerrou com chave de ouro as apresentações de grupos locais. Abriu o show com o som que havia lançado há pouco, A rua não perdoa os fracos, que logo instaurou o amor e a atitude do show, marcado por hits regionais.

Semifinais e a grandiosa final foram disputadas então. Dudu acabou sendo derrotado por Criolim que enfrentou Afroking, classificado após batalha sangrenta com Baiano. Na final, a vontade e talento falou mais alto, rima após rima, os MC’s se superavam, levando para o terceiro round. Com votação extremamente acirrada, Afroking se sagrou campeão e levou o prêmio de Mil Reais.

Finais da batalha de sangue. Fotografia por Vinícius Schmidt.

Entre o DJ Set de 2Sunz e a excelente final, houve uma apresentação com B-Boys goianos, que levaram o público local a um estado de extâse.
Enfim, a atração principal, o carioca BK acompanhado de JXNVS, comandou o palco com a desenvoltura de artistas de porte nacional, como são. Love songs, versos em participações como Vivendo Avançado e Favela Vive, cativaram o público, enquanto em faixas como Contatos, o bate-cabeça tomou conta do já abafado e apertado teatro. Encerrado com “O próximo nascer do sol” a apresentação foi regada de interações dos Mestres de Cerimônia com o público.

BK e JXNVS em meio a multidão. Fotografia por Miguel Henrique.

Com elementos variados do Hip-Hop, o evento contou principalmente com o amor pela a arte, isto, desde sua organização. O coletivo Rimanação que em seu aniversário de 3 anos realizou o fantástico festival que lhes descrevo, é movido a força de vontade e persistência. Após anos organizando batalhas em Aparecida de Goiânia, contando até com a prisão do organizador ao realizar um grande evento numa praça, foi dado um passo adiante, sempre com a cautela e conhecimento de quem luta pela cultura e arte há anos.

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