Com fortes referências da literatura ao jazz, conheça o duo paulistano ‘Elementar’ e um pouco sobre o seu próximo lançamento

''Ânsia de Libra'' é o próximo lançamento da dupla e retrata a autoafirmação da cultura negra.

Foto: Bee Santiago
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Formado pelos irmãos Akanni e Eduardo Hide, Elementar é um duo de rap da zona sul de São Paulo, que decidiram se unir na música desde 2012, quando descobriram conexão e proximidade através de suas letras e poesias. O nome da dupla é uma analogia ao significado da palavra elementar e sobre a importância de consumo poético. A dupla emprega referências fortes que costumam fazer parte do cotidiano, e dialogam entre o jazz e a literatura, como suas principais fontes para compor.

Expressado através de imagens e letras, o último trabalho divulgado pela dupla foi o Lyric vídeo da música “Métodos“, assinado por Fernando Policeno, produzida por Doo aka Eduardo Hidee com mixagem e masterização do meste Luiz Café​.  A música retrata uma pouco da realidade conturbada na qual vivemos diariamente, trazendo a essência do rap com lírica e poesia, nos fazendo refletir sobre esse sistema caótico, através de suas experiências próprias e muito boombap.

A Dupla que também lançou a faixa “Zero” ao lado da cantora Luedji Luna, solta no próximo dia (14), seu novo videoclipe intitulado “Ânsia de Libra“, uma faixa sobre a importância e autoafirmação da cultura negra, e nós trocamos uma ideia com os meninos, para saber um pouco mais a respeito de seus planos e perspectivas. Confere.

Em “Ansia de Libra” vocês apostam em um instrumental mais orgânico, lembrando boombaps um pouco mais antigos. Como é a identificação com esse tipo de instrumental?

R: É algo natural, pois é a sonoridade que despertou o nosso interesse pra fazer musica. O que chegou em nós primeiro foi o boombap e a partir daí abriu um leque maior. Do boom bap veio o interesse pelo jazz, soul, house, afrobeat e por ai vai.

Como o jazz e a literatura influenciam na escrita e nas músicas em si, do Duo?

R: Pra nós o Jazz é o contato direto com Deus, a energia que é transmitida em obras como as do Kamasi Washington, John Coltrane é algo atemporal e essa é a principal influência, fazer musica da forma que a gente acredita buscando a mesma intensidade desses caras. Quanto a literatura além de ser uma fonte inesgotável de pesquisa, a influencia que ela traz a nossa escrita é falar mais do que as palavras dizem.

O Rap que enaltece a autoestima do negro vem crescendo no meio, qual a importância dessa autoafirmação em uma cultura que por si só, já é negra?

R: Na real esse rap sempre existiu e sempre foi grande o que difere é como o mercado atual da música vende essas ideias. A autoafirmação é de suma importância pois a gente continua enfrentando os mesmos problemas. Conseguir enxergar de forma ampla o solo que pisamos é primordial para não nos deixarmos levar pelo que a sociedade impõe.

É como falamos na Zero, devemos nos conectar com a fonte, pois a gente só vai saber aonde a gente vai chegar se soubermos de onde viemos.

Nesses 6 anos de estrada, qual as dificuldades no meio do Rap o duo Elementar enfrentou?

R: A maior dificuldade que enfrentamos é ter que fragmentar nosso tempo com outros trampos. Isso querendo ou não embarreira o processo, manter uma sequência de lançamentos é necessário ainda mais da forma em que a música é consumida hoje em dia.

O que esperar do Elementar para 2019?

R: Música sem rótulos. Pretendemos soltar alguns sons em parceria com alguns artistas e nosso EP que está entrando em fase de finalização.

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