Diomedes Chinaski faz do amor um ato de resistência em ’24 Horas de Liberdade’

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Diomedes Chinaski mostrou ao mundo “24 Horas de Liberdade” na última sexta-feira (28) de 2018. A música foi produzida por ele em parceria com DK e DJ Bac. O roteiro do videoclipe foi assinado por Tássia Seabra, da Aqualtune Produções, e pelo próprio artista. A atriz Aline Tófalo encarna a personagem central da história, misturada por lembranças de momentos vividos com um homem considerado uma ameaça para o Estado. A ambientação intimista do clipe cria uma silenciosa delicadeza que se contrapõe ao ápice das cenas picantes de tesão entre os dois.

Um apartamento no centro da capital paulista, um guerrilheiro em fuga perseguido pelo Estado ditador por causa de seus ideais e posicionamentos em defesa da democracia e liberdade de expressão. “24 Horas de Liberdade” é a síntese de uma luta que também perpassa o trabalho do artista que, conforme sua trajetória neste ano, conseguiu aliar ideologia e arte sem deixar de explorar referências estéticas e dialogar com públicos diversos. Para fechar 2018, ele narra a história de um casal que encontra na paixão e no afeto uma pausa, simbolizada pelo alento em meio aos dias de caos. Em tempos de ódio, amar também é revolução.

“Essa música fala de aproveitar o último dia de liberdade com toda força, para ficar na memória, já que fodeu tudo. Com uma ditadura, tudo se torna menos humano e até mesmo o sexo é controlado. Tem um trecho do livro “1984” (clássico de George Orwell) em que os personagens transam muito e com uma vontade muito grande porque até o sexo estava proibido pelo governo. Então, eles transam escondidos e com uma excitação política”, explica Chinaski, que acrescenta: “A ditadura vem com uma onda de moralismo muito grande e o sexo acaba sendo um ato de rebeldia e revolução também”.

Tássia acredita que a participação da Aline Tótalo contribuiu muito para o resultado do trabalho e ressalta a importância do seu papel. “A atriz é uma mulher negra que representa muitas mulheres de hoje, que já sofreram muito com a objetificação, mas que querem viver a autonomia dos seus corpos e exercitam sua sexualidade sem medo de rótulos”, explica.

Essa é a segunda parceria do MC pernambucano com a Valete de Copas, que já usou uma música sua, “Quem mora lá?”, como trilha sonora de um documentário que aborda a questão do défict de moradia no Recife. No ano em que a Declaração Universal dos Direitos Humanos completou 70 anos, o artigo 19, que versa sobre liberdade de expressão, também está sinalizado no clipe por meio do trabalho do artista pernambucano Outro, autor da capa de Comunista Rico, que aparece no criado mudo. O chapéu vermelho com o nome de Lula, a parede de avisos com os alvos do guerrilheiro são outros indícios que dialogam com o atual cenário político brasileiro, uma marca do trabalho de Diomedes.

“Queria que a sonoridade lembrasse o Brasil do Golpe de 1964, optei por samplear Bossa Nova, porque acho que ela representa muito isso. Não a apropriação cultural e a revolução branca burguesa da época. Essa atmosfera me faz lembrar os dias atuais. Os intelectuais burgueses sambando sem malemolência, os militares loucos. Acho que a sonoridade da Bossa Nova traz esse Brasil para as nossas cabeças”, finaliza o músico.

Confira o videoclipe!

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