“Falam ‘fogo nos racistas’, mas têm tradição racista”, diz Djonga sobre elite branca

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Dono de um dos melhores álbuns de 2018 e em fase crescente na carreira, Djonga voltou ao canal RAP TV para comentar a nova fase que vive. Em entrevista, o rapper mineiro comemora a liberdade que a arte proporcionou.

O balanço do ano anterior é positivo, avalia ele, mas a meta é ainda alcançar lugares maiores. “Eu não vou parar, mas estou elaborando o que vou fazer, refletindo como vou fazer, sem se preocupar muito com o mercado. A arte tem que tirar da zona de conforto e colocar para refletir”, explica.

Após o debate sobre a “gadulização” dos MCs, cantada por Don L, em Fazia Sentido, Djonga explica que toda sua ascensão ocorre de maneira natural, sendo o “mesmo cara da zona leste de Belo Horizonte, que gosta de beber cerveja e jogar bola”.

Autor da icônica frase “Fogo nos Racistas”, ele afirma que há pessoas que ainda se apropriam da cultura hip-hop e, que apesar de ecoarem seu verso, a elite branca não possui total compromisso com a luta contra o racismo.

“Eles invisibilizam a gente sempre que pode e escolhem que será o artista da vez que vamos gostar. Por mais que concordem que é fogo nos racistas, eles têm resquícios de racismo. A tradição da família deles é racista e, quando aperta, eles vão correr para o colo dessas pessoas. Agora, são todos legais e estão no nosso lado da luta, mas vão cansar de brincar disso”

Djonga

Se no álbum Heresia (2017), Djonga apresentou um lado mais agressivo, a fragilidade e sensibilidade esteve mais presente no Menino Que Queria Ser Deus. O integrante do selo Ceia Ent explica que sempre buscou mostrar os dois lados nas músicas, mas que isso ficou mais explícito no último trabalho.

“Eu sempre tenho colocado os dois lados, mas no Heresia era algo mais cru e gritado. Dá essa impressão de virilidade. O Menino Que Queria Ser Deus, por ser mais musical, deixa mais nítido o sentimento”

Djonga

Pai de Jorge, Djonga também conta que a agenda de shows e a rotina musical faz com que a saudade cresça a cada dia que está longe de Belo Horizonte. “A mãe dele manda vídeo e choro. A semana que ele está comigo é a mais feliz da minha vida”, conta.

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