Amiri fala sobre nova fase, falta de reconhecimento e Bolsonaro

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Considerado um dos melhores MCs do rap nacional, David Nascimento, mais conhecido como Amiri, busca resgatar o tempo de hiato na música. Apesar de estar distante da cena, ele revela que buscou se readequar às novas exigências do mercado, mas sem negociar o mais importante: sua identidade. “Consigo ver coisas que eu gosto e criar minha expressão artística.”

Ao RAP TV, Amiri também fala sobre como o racismo estrutural é uma das barreiras para que rappers negros, como ele, tenham a sua arte reconhecida de justa.

“Em parte, tem “culpa” eu cuidar menos da minha carreira por um tempo, pois fiquei anos sem lançar músicas. Mas tem o peso do racismo estrutural, sim. Há um tópico chamado Sucesso Social e se aplica na indústria música, por isso Macklemore ganhou o Grammy no lugar do Kendrick, em 2015. Porém, a minha relevância não mudou durante o tempo que fiquei fora”

Com um trabalho rico em punchlines, metáforas e analogias, ele lembra que anos atrás, ouvia de pessoas próximas que, em meados de 2012, a cena (leia-se público e mercado) não entendiam a sua proposta, mas hoje consegue absorver.

Um dos exemplos de sua qualidade lírica é conseguir rimar palavras ao contrário. Na faixa Apollo/Rude Boy, por exemplo, transforma a frase “O Cirilo” em “O Lírico”.

“É um exercício de revisitar o que escrevo, como ler tudo de trás para frente para encontrar palavras. Busco ver também se é algo que eu gostaria ouvir de outro MC, se era a rima que eu queria ter feito. Por eu vir das batalhas, trago essa competitividade lírica nas músicas. Então quero sair sempre do óbvio”

Apesar de planejar vôos altos com sua carreira neste ano, Amiri se mostra preocupado com os próximos quatro anos, após a eleição de Jair Bolsonaro para a Presidência. Segundo ele, se antes era mais fácil um jovem negro morrer, agora, ficou mais ainda.

Eu procuro sempre ser otimista, mas tem sido difícil ficar. Tendem a ser quatro anos difíceis, com a necessidade de nos mantermos mais unidos. A gente sempre lutou e resistiu, não vai ser diferente agora, mas é assustador.

Aos fãs do rapper da zona oeste de São Paulo, ele prometeu o lançamento de um EP de oito faixas ainda neste semestre. A má notícia é que os antigos trabalhos não serão disponibilizados nas plataformas de streaming. “Não acho que são maduros para parecer que são promovidos hoje”, explica

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