Kendrick Lamar no Lollapalooza faz pensar no por que os gringos não colam tanto no Brasil

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A confirmação da apresentação de Kendrick Lamar no Brasil gerou muito movimento nas redes sociais, o rapper foi confirmado como headline na lineup do festival Lollapalooza Brasil 2019 que acontecerá nos dias 5, 6 e 7 de abril na cidade de São Paulo.

Além de Kendrick Lamar a line-up deste ano contará com Jorja Smith, Macklemore, BK’ entre outros nomes.

A divulgação da presença de Kendrick no festiv al gerou muitas controversas afinal os ingressos para o festival não são acessíveis para grande parte da população brasileira e isso trouxe de volta questões sobre a presença do rap em festivais para um público não necessáriamente periférico ou não muito consciente das questões sociais tão presentes no conteúdo que o gênero leva consigo majoritariamente.

Já é dado como fato que o rap é o gênero mais consumido nos EUA e provavelmente no mundo. No relátório anual divulgado pela Nielsen,em 2018 o Hip-Hop/Rap foi novamente o gênero mais consumido pelo público norte americano.

“Os fãs ouvem 38 horas do gênero toda semana”

2018 U.S. MUSIC 360, The Nielsen Company

E outro fato também relevante da pesquisa foi que “38% dos fãs de Hip-Hop/Rap com uma renda familiar de +US$ 80.000” isso comprova que o gênero cresceu de um modo que conquistou o mercado de maneira abrangente. Isso acaba refletido em como gênero está mais presente nos grandes festivais e lugares que antes não eram esperados, além das periferias e em volta das questões quais sempre levantou bandeira.

Além dessa questão do consumo do gênero ter crescido de maneira extraordinária também existe todo o lado da presença do Brasil como rota para grandes nomes do Hip-Hop/Rap em suas turnês.

Em 2017, Alexandre Faria, diretor da Live Nation, em entrevista para a Billboard Brasil falou sobre a dificuldade de trazer grandes nomes para se apresentarem em solo tupiniquim e isso é reflexo das questões apresentadas anteriormente.

“A gente tem um problema em relação ao hip hop: o jovem norte-americano está consumindo muito intensamente e o patamar desses artistas nos Estados Unidos inviabiliza a vinda. A não ser que eles passem a encarar a América do Sul como um investimento.”

“…é uma queda de braço. Porque o cara tem que diminuir o cachê pra vir pra cá, mas, ao mesmo tempo, ele tem que monetizar ao máximo esse momento. Geralmente, quando procuramos um artista assim, ele quer cobrar quatro vezes mais o que ele vale e inviabiliza. Tô falando de Future, Travis Scott, Big Sean… todos eles.”

É a clássica situação de demanda no mercado, entretando hoje em dia a mobilização de fãs nas mídias digitais tem chamado atenção de marcas que auxiliam nesse processo de viabilização para que um artista passe pelo país. Um bom exemplo disso é o Queremos!, uma plataforma global focada na interação dos fãs com os artístas.

De maneira bem simplificada funciona com os fãs pedindo a apresentação de um artista em sua cidade e conforme os dados coletados, quantidade de pedidos, busca viabilizar a mesma. Para este ano já estão agendados para as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro apresentações do grupo The Internet e Kamasi Washington.

Um ponto válido a ser abordado também é como o mercado brasileiro é apreciado pelos artistas que já visitaram o país com suas turnês, temos bons exemplos que sempre passam pelo Brasil como Snoop Dogg, Wiz Khalifa, Rihanna. Quem sabe essa primeira vinda do Kendrick Lamar, um nome tão relevante no cenário mundial do Hip-Hop/Rap, seja relevante para que outros nomes entendam o país como passagem obrigatória de suas turnês.

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