Muito mais que drift é o novo EP de Yung Buda

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Num primeiro momento poderia dizer que não gostei do novo trabalho do Yung Buda, o “Músicas para Drift Vol.2“. Uns dias passaram e minha opinião mudou, tanto que me prestei a escrever isso que você lê nesse momento, fazendo- me perceber centenas de fatores incríveis que envolvem esse EP. Mas para poder explicar um pouco melhor, preciso explicar minha experiência, não apenas com esse lançamento, e sim com toda a obra do Buda.

É bem possível que assim como eu, seu primeiro contato com esse artista foi na faixa “Nego Drama PT. II“, que faz parte do álbum “Regina“, do niLL. Já naquela música percebe – se o caminho que Yung Buda iria levar com seus sons. Num álbum que vinha seguindo um caminho coeso, acompanhado pelas influências do Vapporwave, o feat simplesmente chega numa pegada totalmente diferente. Graças ao Buda, que torna a faixa dele, não só pela parte lírica, mas também musical e estética. Tudo ali ganha a cara dele e independente da forma que o público encara esse som, ele é uma prova do talento e criatividade do membro da SoundFood Gang.

Logo após tomar conhecimento do trampo dele, fui atrás de outras músicas. Foi nesse momento que deparei-me com o EP “Músicas para Drift”, que tem a clássica “Akatsuki de Vila”. Lembra quando mencionei que na faixa com o niLL, a estética do Buda toma conta? Então, esse EP é a comprovação de como ele é um dos caras mais estéticos da cena.

Essa palavrinha “estética” tem um significado muito amplo e agora vou abrir um parêntese para tentar explicar como ela se aplica a música e a arte como um todo. Basicamente são duas explicações e uma delas é filosófica. Na filosofia seria o estudo do que “é belo nas manifestações artísticas”, uma ciência que tenta mapear as sensações que a arte gera em nós. O outro, seria simplesmente a harmonia das formas, cores ou resumindo, a beleza de algo. Coincidência ou não, esses conceitos falam muito sobre os EP’s do Yung Buda.

Quando ele fez uma música utilizando vários elementos de Naruto (“Akatsuki de Vila”), não apenas como referência, mas de um jeito como se eles fossem de certa forma “reais”, é algo estético. Aqui tem a harmonia, dos gostos dele como pessoa (o anime), com a letra e a musicalidade meio atmosférica e épica, para combinar com o personagem do Uchiha Madara, que é citado na faixa. Quando ele utiliza uma sonoridade meio crua, coloca um Toyota Trueno na capa e cita ele numa música, tudo isso funcionando de forma harmoniosa e autêntica, isso é estética. O próprio nome “Músicas para Drift” junto com o já citado carro, formam uma das referências mais interessantes utilizadas em capa que eu já vi. O Trueno é o carro de Keiichi Tsuchiya, o Drift King (ドリキン – Dori Kin), pessoa responsável por disseminar a cultura do drift no Japão e posteriormente, no mundo.
Também é o “protagonista” do anime Initial D, já que o personagem principal usa ele pra entregar tofu e vira o piloto de montanha mais rápido da região de Kantō (Japão).

Essas marcas fizeram – me achar o Buda um dos caras mais talentosos, únicos e criativos da cena do trap nacional. Quando fui ouvir “Músicas para Drift Vol.2”, não gostei muito de cara e logo percebi que isso dizia muito mais sobre mim, do que sobre o trabalho do artista.

A minha visão sobre o artista ficou tão cristalizada com o que ele já havia apresentado, que acreditava que ele entregaria algo igual o já apresentado. Baita engano meu e obrigado Yung Buda por isso. Esse segundo EP da série “Músicas para Drift” traz umas diferenças em relação ao primeiro, mas se tem algo que não mudou, foi o espírito estético do Buda. As mudanças na verdade, estão dentro da própria estética do trabalho, fazendo um trabalho meio paradoxal em que muita coisa é igual e diferente nos dois trabalhos.
A sonoridade, as letras, a capa e tudo mais que possa ser apontado, conversam um com o outro como Buda sempre fez.

Utilizar um carro bem mais moderno que o Trueno na capa do EP, casa com a musicalidade muito mais polida desse trabalho. As semelhanças que o artista apresenta com si mesmo, só chamam mais a atenção para as evoluções que aconteceram com seu trabalho.
Assim como no Vol. 1 tinha sua clássica, nesse volume temos “Califórnia (World Tour)“, que é um dos melhores sons do Buda. Deve ser uma experiência incrível dirigir ao som dessa música, o beat e a forma que Yung Buda se comporta nele agem como as variações de uma estrada. Você vai descobrindo o som a medida que ele avança, como se descobrisse um novo caminho pelas ruas de onde você vive.

Esse EP é uma experiência artística completa, que com certeza merece um estudo estético sobre tudo que o rodeia. Ele dá vontade de pegar um Miura e sair por aí fazendo uma World Tour.

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