RND Entrevista: Primeiramente

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Um dos grupos mais undergrouds da cena, representa as ruas, as batalhas, e as quebradas de SP pelo Brasil!

Formado no fim de 2012 por três jovens que frequentavam as batalhas de mc’s de São Paulo, Gali, Leal e Raillow se uniram para no início de 2013 dar origem ao primeiro trabalho do grupo, chamado “Basta Acordar”. Em seguida, foi a vez do Dj Fire se juntar ao grupo, e ajudar na produção do CD lançado no fim de 2014, intitulado “A um passo do precipício”.

Em menos de dois anos, os três jovens com suas rimas afiadas e agressivas, e a pegada undergroud, juntos com a experiência e talento do Dj ganhavam espaço e respeito considerável na cena do rap nacional.

Em 2017 veio o anuncio de um novo integrante, apresentado por Dj Fire, e colando em participações de músicas, NP Vocal teve colaboração significativa durante a gravação do CD “Na Mão do Palhaço”, lançado no fim daquele ano. A participação em algumas faixas, e a amizade estabelecida com o grupo, culminou com o convite para integrar o coletivo, o que eu até me ousaria a dizer que era o que faltava, a chamada “cereja do bolo”. NP acrescentou além da experiência no cenário e nas letras, a musicalidade, dividindo versos impactantes, e acrescentou muito ao grupo.

No final de 2018, um ano após o lançamento do último CD, veio o convite pela Showlivre para a gravação do DVD. Tive a honra de cobrir esse evento, que foi algo realmente marcante. A sintonia no palco, e a energia dos bastidores, mostram a evolução do grupo, e que eles confirmaram no trabalho lançado no último dia 18 de abril, chamado “Outro Nível” que mostra toda a evolução do grupo durante esses anos de estrada.

O RND fez uma entrevista exclusiva com o grupo e você confere agora:

RND: Na primeira faixa, a que intitula o ep, o NP diz que cansou de ouvir que o Primeiramente está em outro nível, e que não gosta de rap egocêntrico. Tanto que embora o título possa parecer isso, ao ouvir você percebe que não tem nada a ver. Como foi aceitar esse fato de que é real essa parada de estar em outro nível, e como foi o processo de criação desse novo projeto?

NP: Tipo assim, vemos um cenário hoje bem descartável e com muitas pessoas, a anos atrás não existia 90% dessas pessoas que tão fazendo sucesso hoje, e depois de atravessar todos os mares do Rap, desde festivais, eventos enormes, eventos pequenos, eventos vazios, depois de “Basta Acordar”, “A um passo do precipício”, “Na Mão Do Palhaço” e todos os sons de sucesso ao vivo, e em números, sabíamos que estávamos em “Outro Nível” de vivência e escrita pra se encaixar no padrão que o rap está.

Tínhamos inúmeras guias, o Leal selecionou as mais pesadas, e por isso ele está em todas (risos), e foi cada um compondo junto e moldando a parada.

RND: Na faixa século XXI a participação do BK caiu como uma luva em um som cheio de críticas políticas e sociais. De onde veio a ideia desse convite e de quem partiu?

Leal: Eu admiro muito o trabalho do BK, acho ele muito bom nas letras, e já tinha feito pra ele um convite, mas não oficial, falando que queria um dia fazer um som com ele e tudo mais… Colei no estúdio do meu parceiro Riff, lá no Invok, e fiz essa guia, não imaginei outra pessoa rimando com “nois” a não ser ele.

RND: “Terremoto” vem com um beat de trap e uma letra cheia de mensagem. Totalmente fora da curva do que vem sido feito aqui no Brasil. Como foi a experiência de escrever em cima de um beat que podemos dizer, não é do mais usado pelo grupo que é acostumado com o boom bap raiz?

Raillow: Hahahaha digamos que somos acostumados com tudo, quem acompanha nossa carreira já viu e percebeu que somos um dos únicos que a voz, o flow, os temas, se encaixam tanto em violão, acústico, boombap, trap, drum and bass, e por aí vai, se for contar as características de cada um, até sertanejo e eletrônico fica fácil pra gente rimar. E esse “destravamento” pro trap já aconteceu a muito tempo pra gente, desde 2015, quando produzíamos com o Pedro Lotto e começamos a fazer trap mesmo. Hoje foi só rimar em beats que já estávamos acostumados a muito tempo. O maior desafio é o tema das músicas sempre, porque o povo gosta de ouvir merda, essa é a verdade, e convenhamos que somos pesados demais para os castelinhos de areia (risos). Falo isso mesmo sem rimar no som, a música já estava PERFEITA, açúcar demais enjoa!

RND: “O Mar e o Sol” foi um dos sons que mais me surpreendeu. É aquela parada que faz a gente refletir. No mesmo tempo que tem umas partes como uma bronca, tem uma espécie de colo para o psicológico. Como nasceu as primeiras linhas desse trabalho e qual foi a inspiração?

Leal: Essas rimas são de um tempo já, estavam na gaveta em casa abandonada, quando eu peguei e li depois de muito tempo lá, comecei a retificar algumas partes, depois ouvi o som do Jay Rock com o J Cole, e aquele sample me lembrava algo… Era o mesmo de uma música minha lá de 2014, que se chama “eternizado” quando eu vi, eu falei: “Ah mano, tô nem aí que eles usaram, vou usar de novo… Subi pro estúdio, gravei minha parte e fiquei com uma melodia na cabeça, ai o nosso produtor, Gilberto Ganjaboa, fez a letra no refrão… foda! 

RND: Vocês conseguiram encaixar um rap que fala de amor, colocando ele muito bem no disco com um refrão do Gali que arrepia, em uma época onde o acústico tem dominado. Por ser conhecido como um grupo mais undergroud, e até pelo Raillow ter recebido algumas críticas nas redes sociais pôr em algumas faixas ter uma pegada mais romântica, como vocês esperam que esse som atinja o público? Como vocês veem o rap acústico? Gravariam um?

Raillow: Falar todo mundo fala, recebi muitas críticas por ser sincero. Recebia mensagem das pessoas, comentários em vídeos de que eu estava falando muito de amor e de mulher. Porém era o que eu realmente estava sentindo no momento, e precisava desabafar nessas composições o que não conseguia falar ou fazer pra tais pessoas. Então, primeiro meu princípio da música é compor coisas sinceras, seja lá sobre o que for, ainda mais sobre amor, porra. Amor é bom, é importante, tem que ser exaltado! Nunca me abalei, e sempre soube que tinha que manter minha raiz e essência nos versos, independente do tema. E na moral, difícil achar alguém na cena que faça isso tão bem quanto eu, os mesmos que falavam mal, hoje se arrepia com cada linha, com o que eu falo, e do jeito que eu rimo! Hoje essas músicas são uma das mais visualizadas, “Vida Bela”, “Primavera”, “Plano B”, entre outras participações espalhadas pelo país… Então vejo que a galera já se acostumou, apesar de sempre querer ver a gente naquela ideia pesada. E com certeza gravaria um acústico, já gravamos por sinal, em 2013, no “Projeto Não repare a Bagunça” em CWB.

RND: Revolta Latina pt.2 era a faixa mais esperada pelos fãs, e ela veio impecável. Como cada um enxerga esse amadurecimento nos pensamentos e nas rimas depois de 4 anos da “Revolta Latina”? Como foi para o Leal produzir esse som que era tão aguardado?

Leal: Obrigado por notar nossa evolução. Então, desde a entrada do NP estamos com um novo modelo de PrimeiraMente, mais leve e mais versátil, abordando temas que antes nem pensávamos em falar e que também nem eram tão falados. Sobre a produção, eu fiz esse beat com o Gali e o Riff do meu lado, e não é a minha primeira, eu já tinha produzido uma track do primeiramente antes que eu nem rimo, e meu som com o Diomedes também é produção minha.

Comentem o que vocês acharam da entrevista, e quais os próximos artistas vocês querem ver no bate papo aqui no RND.

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