“Atire num racista, mate um racista”

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Fé pra SSA e fé pro RND.

E aí, fakes? Estamos de volta para falar de novo, mais uma vez, e novamente sobre a cena trap/rap mais braba do Brasil. No último mês, postei por aqui a mixtape Libertus dos pivetes Gus, Madruga e Fiaes.

Hoje, os bangers dos “mininu” dão espaço para um pano de fundo mais boom bap clássico, um excelente campo para as barras militantes de Wallace Cardozo, o Wall.

Ex-WWL RAP, Wallace já havia aparecido aqui no RND no fim de 2018 com o álbum 3×4. Agora, dando continuidade a sua carreira de forma solo, o soteropolitano lança o single “Bola 8“, um daqueles raps fundamentais que carregam consigo mais do que a experiência musical em si.

O beat propício de Calibre dá a Wallace o habitat perfeito para ele despejar toda sua vivência e percepção de homem negro em linhas que soam como um precioso discurso de quem precisa e quer ser ouvido.

Com um clipe que foi inspirado nesse aqui do rapper 16 Beats (palavras do próprio), Wallace conta como ele sempre quis lançar o seu primeiro som com um audiovisual. A ideia da mesa de sinuca em um bar não saia da sua cabeça e foi daí que ele começou a construir o conceito do som.

“É como eu falo na introdução da música: a bola 8 é a bola preta que sempre morre e a bola branca é a bola que mata todas as outras“, explica Wallace.

Mostrando para que veio, Wall reaparece com o single “Bola 8”

O uso dessa analogia “funcional” é simbólica. E como é dito aqui em Salvador: pega a visão quem quer. Mas, muito melhor do que eu, Wallace explica com clareza a pretensão de “Bola 8“.

“Precisamos inverter o jogo. É simbólico no clipe quando a bola preta mata a bola branca. É uma mensagem muito forte. E a onda é essa: virar o jogo. Criar nossas próprias regras e jogar da nossa forma. Nós viemos em um Brasil há 500 anos jogando com as regras que nos são impostas e já está claro que não está dando muito certo”, resume Wallace.

Dessa forma, tocando em várias feridas e jogando verdades na cara de quem ainda consegue viver em um Brasil com cara de Disneylandia, Wall solta o seu primeiro desabafo pós WWL RAP.

É preciso destacar também a habilidosa caneta de Wall na track. Com esquemas de rimas muito criativos e linhas talentosíssimas como essa:

“Nossa morte é projeto, sem sorte, projétil é o que eles projetam, dejeto, esgoto a céu aberto, com fome, sem teto, sem lazer, com feto, cresce, mente fértil, preto alvo da PETO, da Coelba e de ACM Neto”

A captação de áudio, mixagem e masterização é assinada por Beco Rec. e o audiovisual por EmQuadrado Audiovisual. Com o figurino de Talu Reis e a câmera, montagem e finalização de Ramiers Ax, Bola 8 é uma obra necessária e que nunca perderá sua validade no rap nacional.

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